Cargill amplia aposta em ingredientes não transgênicos

Cargill amplia aposta em ingredientes não transgênicos

Por Gregory Meyer

A Cargill, uma das maiores fornecedoras de alimentos ao atacado do mundo, dobrou-se às tendências ditadas pelos consumidores e está oferecendo seus primeiros produtos com o selo de garantia da maior organização americana que monitora ingredientes livres de transgênicos.

A multinacional americana negocia anualmente milhões de toneladas de produtos como milho e soja, a maior parte do volume geneticamente modificado. Mas a companhia está se deparando com as mudanças no gosto dos consumidores, que passa por uma desconfiança crescente em relação aos produtos transgênicos, comuns nas prateleiras dos supermercados há anos.

Na semana passada, a Cargill informou que recebeu pela primeira vez o selo do Non-GMO Project, uma organização voluntária, para três de seus ingredientes alimentícios. A aprov ação significa que as companhias que vendem alimentos embalados e são clientes da Cargill poderão agora colocar em seus produtos a logomarca do projeto, uma borboleta já amplamente reconhecida.

"A demanda por alimentos e bebidas não transgênicos está crescendo e a Cargill está respondendo", afirmou Mike Wagner, diretor da divisão americana de adoçantes e amidos da múlti. Os ingredientes que receberam o selo são o açúcar de cana, o óleo de girassol com alto teor de ácido oleico e um adoçante com zero caloria feito de milho. "Não há cana de açúcar transgênica e não há girassol transgênico", diz Peter Golbitz da Agromeris, uma consultoria especializada na indústria de alimentos naturais. "De certa forma, a Cargill está capitulando ao temor crescente do consumidor de que há algo com que se preocupar em todos os alimentos, e não apenas com os alimentos que podem ter variedades comerciais transgênicas", afirmou.

A venda de produtos certificados como não transgênicos poderá ajudar a melhorar as margens de lucro da Cargill, que estão em queda nos últimos anos. Em um pronunciamento feito este ano, o executiv o-chefe da companhia, David MacLennan, disse que a companhia continuará comprando culturas transgênicas. Mas também afirmou: "Também estamos entusiasmados com as oportunidades de maior valor agregado apresentadas pelas cadeias de fornecimento especializadas, como as de produtos não transgênicos". Os alimentos embalados com o selo do Non-GMO Project começaram a aparecer nos supermercados em 201 0. Hoje, mais de 40 mil produtos são certificados, o que corresponde a mais de US$ 1 9 bilhões em vendas anuais, de acordo com informações do projeto.

Em julho, o presidente Barack Obama transformou em lei uma medida exigindo que as companhias de alimentos rotulem os produtos com ingredientes geneticamente modificados, antecipando-se a uma lei parecida que seria implementada pelo Estado de Vermont. A Cargill apoiou a versão final da lei, mas o Non-GMO Project a criticou, afirmando que restaram brechas que permitem que certos alimentos transgênicos não sejam submetidos à rotulagem obrigatória e que os códigos QR dos smartphones têm potencial para substituir os selos de aprovação. O Departamento da Agricultura dos Estados Unidos (USDA) está agora cuidando das normas de aplicação da lei.

Por Gregory Meyer | Financial Times, de Nova York
Fonte : Valor